Aquecimento Global

Francisco Fernandes Ladeira[1]

            

         

Entre os grandes temas da contemporaneidade, os debates sobre o aquecimentos global são, certamente, um dos mais complexos e polêmicos.

Grosso modo, aquecimento global pode ser definido como o aumento sistemático das temperaturas médias da Terra. As discussões sobre o assunto ganharam força em 1988 nos Estados Unidos. Naquele ano ocorreu um verão extremamente quente em algumas regiões do país.                     

Desde então, a ideia de que o planeta está se aquecendo foi difundida em escala global e vários movimentos ecológicos prontamente adotaram a tese de que determinadas atividades humanas estariam a ocasionar o aumento das temperaturas planetárias.

Entretanto, há várias controvérsias sobre quais seriam as verdadeiras causas do aquecimento global: realmente é provocado pelo ser humano? Ou trata-se de um fenômeno natural, em que a ação antrópica tem pouca, ou nenhuma, influência?

Preliminarmente é importante lembrar que a Terra não produz seu próprio calor, sua energia térmica é proveniente da estrela mais próxima: o Sol.         Assim, para que o nosso planeta não perca todo o calor recebido, ocorre um processo natural conhecido como efeito estufa.                                                                                   

O efeito estufa é caracterizado pela presença de certos gases na atmosfera (principalmente óxido nitroso, gás carbônico, metano e vapor d’água) que aprisionam parte da energia solar refletida pela superfície terrestre. Dessa forma, este fenômeno é responsável por manter a temperatura do planeta constante. Sem ele a Terra seria bem mais fria.                        

Portanto, ao contrário do promulgado pelos meios de comunicação e pelo senso comum, o efeito estufa (dentro de certo limite) é de vital importância para a vida em nosso planeta.

Segundo os partidários do aquecimento global antropogênico, o ser humano, ao lançar gases estufa na atmosfera, contribui peremptoriamente para intensificar o efeito estufa, tornando a Terra mais quente.

Entre as principais consequências do aquecimento global podemos citar a elevação do nível dos oceanos causada pelo derretimento das calotas polares (que pode provocar a submersão de várias cidades litorâneas); o crescimento e surgimento de desertos (desertificação); a disseminação de doenças típicas de climas tropicais em regiões temperadas; o aumento do número de furacões, tufões e ciclones; e alterações nos fluxos das correntes marítimas (o que paradoxalmente pode provocar um resfriamento global, principalmente no Hemisfério Norte).

Por outro lado, para os “céticos” o aquecimento global pode ser natural, pois a Terra ao longo de sua história apresentou vários ciclos de aquecimento e resfriamento.         

Segundo essa linha de raciocínio, o aumento das temperaturas médias pode ser atribuído a mudanças nas atividades solares (em outros termos, o sol está ficando mais quente) e 98 % do efeito estufa natural é provocado pelo vapor d’água e não pelos gases emitidos pelas atividades humanas.             

Dessa forma, a tese do aquecimento global antropogênico não passaria de um mito utilizado como pretexto para arrecadar vultosos fundos para grupos ambientalistas e também para demonizar determinadas fontes de energia e abrir espaço para a utilização em larga escala da energia nuclear (basta lembrar que Al Gore, um dos principais inimigos do aquecimento global, é um dos maiores acionistas mundiais da indústria nuclear).

Segundo Alexander Cockburn, “tal como a espiral de gastos com armas fomentadas pelos mercadores do medo da Guerra Fria, vastas quantias de dinheiro serão gastas inutilmente em programas que não funcionam contra um inimigo [o aquecimento global] que não existe. Enquanto isso, perigos reais e ambientais sanáveis são tratados superficialmente ou ignorados. A histeria governa estes dias, afogando necessidades urgentes de limpeza no nosso quintal enquanto aplaina o caminho para a indústria nuclear colher as suas recompensas globais”. 

De acordo com esta perspectiva, o ser humano pode, no máximo, modificar o clima local, sobretudo nas grandes metrópoles (as chamadas “ilhas de calor”).                              

Não obstante, um estudo realizado na Califórnia demonstrou que (em condições fisiográficas similares) as grandes cidades tendem a apresentar temperaturas mais elevadas do que as cidades médias e pequenas. Assim, o suposto aquecimento global é um fenômeno que está ligado somente às grandes aglomerações urbanas, e não a todo planeta.                          

Enfim, quais as verdadeiras causas das mudanças climáticas? Cientificamente não é possível comprovar se o aquecimento global é natural ou antrópico. A complexidade dos fatores climáticos e o pouco conhecimento humano em relações a estes fenômenos impedem um diagnóstico definitivo sobre o tema.

Independentemente de ser um fenômeno antropogênico ou não, o debate sobre o aquecimento global é uma excelente oportunidade para refletirmos sobre as relações entre o ser humano e o meio ambiente.

Está cada vez mais claro que o padrão capitalista de sociedade, ao privilegiar o consumismo exacerbado, pressupondo enormes demandas por matérias-prima, é incompatível com a sustentabilidade planetária. 

Sendo assim, fomentar um novo modelo de desenvolvimento não é mais uma questão apenas ideológica, é uma questão de sobrevivência.         

 


[1] Especialista em: “Ciências Humanas, Brasil: Estado e Sociedade” pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Professor de História e Geografia da Escola Estadual Professor João Anastácio. Autor do artigo As relações políticas entre as famílias Bias Fortes e Andrada na cidade de Barbacena: da formação da poderosa aliança à criação do mito da acirrada rivalidade, publicado no periódico “Mal-Estar e Sociedade” (Editora EdUEMG). Email: franciscoladeira@bol.com.br

 

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